terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Da Terra à Lua - Parte 5: O Saturn 5 levanta vôo.


.

Parte 5 - O Saturn 5 levanta vôo.

A contagem regressiva prosseguiu e quando chegou a "T" menos 10 segundos, todas operações de lançamento entraram no modo automático. O controle passara para os dispositivos internos do foguete e aquele gigantesco monumento de 110 metros de altura estava no comando. O poderoso Saturn 5 iria mesmo decolar e levar o Homem à Lua.

"Sete..., seis,..., cinco, Sequência de Ignição Iniciada, quatro..., três..., dois..., um..., zero... Lançamento!"

O Saturn 5 de corpo inteiro logo após a ignição.

Quem assiste à ignição de um Saturn 5 está de fato testemunhando uma das maiores demostrações de força que existe. Propelido por cinco motores de combustível líquido projetados por Werner von Braun, o conjunto gera um empuxo de nada menos que 3.400 toneladas, uma força tão grande que chega a ser inimaginável.

Os relógios marcavam 10h32 da manhã. Envolto e fumaça e labaredas, por um momento o foguete parece estático, mas lentamente começa a subir. Dez segundos depois a portentosa máquina de 2900 toneladas está a 300 metros do solo e continua subindo. Consumindo 13600 quilos de combustível a cada segundo, o foguete já está 136 mil quilos mais leve. Perdendo peso, mas mantendo sempre o mesmo empuxo, o veículo acelera e em poucos segundos ultrapassa a velocidade do som.

O detalhe do primeiro estágio do foguete.

A voz trêmula de Neil Armstrong retransmitida pelo Centro de Controle confirmava que os motores estão em potência máxima, com a estrutura do foguete no limite da pressão aerodinâmica. O momento é crítico e em dois minutos e meio o primeiro estágio do Saturno 5 consome todo seu combustível e cai em direção ao oceano. No Cabo Kennedy a multidão não perde um só instante e aplaude.

Em apenas 160 segundos de vôo o enorme foguete perdeu mais de 2 mil toneladas e lançou o conjunto Apolo11 a 60 km de altitude a uma velocidade de 8850 km/h, mas, para vencer a força da gravidade, é necessário ainda mais força e os cinco motores do segundo estágio do Saturno 5 entram em ignição, produzindo mais 500 mil quilos de empuxo.

Os giroscópios do foguete comparam a posição e corrigem o rumo da nave. A Apollo 11 descreve uma suave curva em direção à África e a 96 km de altitude quando a pequena torre de segurança no topo do conjunto é ejetada... também caindo no oceano. O segundo estágio queimou durante seis minutos e meio e arremessou a nave a 180 km de altitude a uma velocidade de 24 mil quilômetros por hora. Completada sua tarefa, o segundo estágio é atirado ao mar e, alguns segundos depois, o terceiro estágio entra em operação.

O lançamento visto da sala de controle.

Para atingir a órbita da Terra a Apollo 11 precisa de muita força e somente um foguete do tipo Saturno 5 é capaz de fazê-lo. O terceiro estágio arde durante 165 segundos e proporciona ao conjunto um impulso extra de 100 mil quilos, mas ao contrário dos outros estágios ele não cairá no mar. O foguete ainda armazena bastante combustível e será usado na próxima fase, quando a Apollo será definitivamente acelerada em direção à Lua.

Desde o lançamento até o desligamento do terceiro estágio se passaram apenas 12 minutos. A nave já está em órbita da Terra a 180 km de altitude e viajando a 28 mil km/h, mas para alcançar a Lua uma série de manobras ainda serão necessárias. Em Terra, os controladores respiram mais aliviados. A primeira etapa, extremamente crítica, havia sido cumprida. 

Nos vídeos abaixo, todos os detalhes do lançamento da Apollo 11. No primeiro, toda a sequência, desde a contagem até a liberação do primeiro estágio. No segundo, detalhes do lançamento, filmados muito próximo do foguete.

 http://www.youtube.com/embed/QdPBKg19IGY
 http://www.youtube.com/embed/JU85ZvgNakM


----------
A seguir: Livrando-se da gravidade.
----------

Paz e bem.

P.

.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Compreendendo definitivamente a mais-valia.

Olá amigos.

Mesmo com o especial sobre classes sociais, a questão da mais valia sempre fica bem difícil de se compreender. Encontrei essa histórinha do willtirando.com.br que esclarece definitivamente, com genialiade e simplicidade, a questão. Vejam:


Dúvidas?

Paz e bem.

P.

"Eu só pensava: eu não valho tanto. Daí a pouco já estava pensando: e eu que não sabia que valia tanto..."
Clarice Lispector
.

domingo, 29 de janeiro de 2012

As Fábulas de La Fontaine - Parte 6: O galo e a pérola.


.

Parte 6: O galo e a pérola.


Certo dia, o galo, querendo matar a fome, cutucava a terra à procura de qualquer coisa para comer quando, encontrou uma linda pérola brilhante, que provava ser de grande valor. O galo contemplou-a por um instante extasiado, mas concluiu:

- Realmente é muito linda e de valor, mas para mim não tem serventia. Um grãozinho de milho, por menor que seja, seria de maior proveito para o meu estômago. 

E ao primeiro joalheiro que encontrou, o galo deu a pérola que, embora fina, não lhe mataria a fome. 

De igual forma procedeu certo indivíduo ignorante, o qual tendo herdado um raro livro de imenso valor, correu apressado a um livreiro e lhe disse:

- Sei que o livro é de grande valor, mas troco-o por um vintém que para mim vale muito mais.

A moral desta fábula consiste em não dar em troca o valor espiritual pelo simples valor material.


---------
A seguir: O Burro vestido com a pele do Leão.
---------

Paz e bem.

P.
.

sábado, 28 de janeiro de 2012

A Mitologia e a Humanidade - Parte 54: Os mitos de Zu e do dragão Labu.


.

Parte 54: Os mitos de Zu e do dragão Labu.

Ao ciclo de Nipur pertencem os dois mitos seguintes, o do homem-pássaro, Zu, com instintos de ladrão, e o do dragão Labu. Zu aproveita-se do instante em que Enlil se entregava a cuidados corporais, "enquanto se lava com água pura e abando­nou o trono e depôs sua tiara", insígnia do poder, para apode­rar-se das tabuinhas do destino; os deuses reúnem-se e decidem perseguir o ladrão. Como no Enuma alish, os deuses acovardam-se diante de Zu e seus acólitos; entretanto um certo deus decide capturar Zu durante um banquete para o qual o convida (a mesma situação se encontrará no mito hitita da grande serpente Iluian­ka... sem coragem de atacar o inimigo de frente, convida-o para um banquete e o embriaga).

Uma versão babilónica mais recente faz de Marduc o ven­cedor de Zu, e o deus, na ocasião, recebe o nome de "quebrador do crânio do pássaro Zu". O mito do dragão Labu surge quando o deus Enlil desenhou no céu a imagem de um dragão. A imagem se tornou viva e os deuses foram tomados pelo pavor. Somente um ousa enfrentar o temível animal, mata-o e o sangue do dragão goteja durante anos.

---------
A seguir: Ishtar, Inanna e Tammuz
---------

Paz e bem.

P.

.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Allie Candrell: uma vítima da anorexia na moda.

.
Olá amigos.

Eu já tratei sobre o tema “anorexia” aqui, mas ainda fico triste ao ver a beleza se esvaindo de uma moça que passa a ser execrada publicamente pela pressão sofrida de sua profissão.

A modelo Alexandra “Allie” Crandell foi banida de uma campanha de moda. O motivo veio do clamor popular, já que os consumidores odiaram sua imagem de boneca magérrima... uma imagem que remete muito mais à magreza mórbida da doença chamada anorexia do que propriamente a uma imagem de saúde, beleza e elegância.

Allie estava apresentando uma coleção assinada por Max Azria, da BCBG, para o site americano de grifes de moda Revolve. As mulheres ficaram revoltadas com o diâmetro dos braços e pernas de Allie, além dos ossos de fora. A grife, preocupada com a repercussão negativa, baniu a modelo temporariamente. As fotos foram publicadas no site da Revolve. Porta-voz da companhia disse que Allie só poderá voltar a posar quando ganhar peso e estiver com uma aparência mais normal, que não choque as consumidoras. Os empresários estão conversando com os agentes da jovem, numa tentativa de conscientizá-la a mudar sua alimentação.  Mas… não são as próprias grifes que dão preferência às magérrimas?

Mulheres deixaram comentários indignados no site dizendo que jamais comprariam um vestido depois de vê-lo numa modelo com um rosto tão pálido e sem expressão. Uma das leitoras foi bem clara em seu depoimento: “Se uma loja quer que as pessoas comprem algo de sua empresa, não faça com que seus consumidores se sintam mal diante de uma modelo que claramente não tem nenhuma autoestima ou respeito por seu próprio corpo”.

Allie aos 20 anos, em 2007, à esquerda, já naturalmente magra, mas saudável, e nas fotos atuais, aos 24 anos, à direita: a pressão da sua profissão que prioriza a futilidade faz vítimas dentro e fora deste mercado através da anorexia. 

A moça, como podemos ver na foto que coloquei acima, era linda antes de emagrecer tanto e deformar seus traços, virou celebridade instantânea ao participar de um reality-show da MTV, The City, em 2008. Em um dos episódios do programa, já muito magra, chegou a ser criticada, mas se defendia dizendo que comia muito bem.

Talvez a sociedade esteja começando mesmo a rejeitar ativamente esse padrão mórbido de magreza, que produz mulheres irreais, etéreas e estranhas... mas a minha preocupação é outra: será mesmo válido que o site e a grife cancelem sua campanha e proíbam Allie de posar para sua coleção até que recupere um peso normal, correndo o risco de jogar a modelo na depressão, já que a anorexia é um processo depressivo?

Só fico na torcida para que Allie volte a ser feliz, preservando a sua saúde, que nunca foi sinônimo de se ser magro exageradamente.

Paz e bem.

P.


“A contestação, a crítica, a desconfiança alegre, a vontade de ser irônico são sinais de saúde: tudo o que é absoluto pertence à patologia.”
Friedrich Nietzsche

.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Megaupload, o mártir da democracia na rede.


Olá amigos.

Quem me conhece sabe que tenho uma mania: baixar filmes, músicas, games de Playstation ou PSP, livros, revistas... tudo que me possa agregar conhecimento e diversão e ir enchendo as minhas HDs. E qual não foi minha surpresa ao saber que arbitrariamente, alegando pirataria, o melhor site de compartilhamento P2P, o Megaupload, foi extirpado da existência, desrespeitando inclusive quem guardava lá coisas pessoais.

Vou registrar aqui a história toda.

O Megaupload, um dos maiores sites de compartilhamento de arquivos da Internet, foi tirado do ar no dia 18, em uma ação do FBI. De acordo com a acusação, os responsáveis pelo site teriam provocado um prejuízo de mais de 500 milhões de dólares aos detentores de direitos autorais devido aos filmes piratas e outros conteúdos protegidos que circulavam na rede. 

A medida foi consumada no dia seguinte, depois que diversos sites fizeram um "blecaute" em protesto a SOPA e PIPA, os projetos de lei propostos no congresso americano para combater a pirataria online de conteúdos como filmes e séries de TV.

Mensagem do FBI na página do Megaupload: "O nome deste domínio com o site megaupload.com foi confiscado por ordem impetrada pelo ministério público dos Estados Unidos. Uma lei federal indiciou várias pessoas e entidades supostamente envolvidas na operação megaupload.com e sites relacionados nos seguintes crimes federais: incentivo à extorsão, incentivo à infração de direitos autorais, incentivo à lavagem de dinheiro e crime por infração de direitos autorais."

Oficialmente, o Megaupload, o 13º endereço mais popular no mundo, afirmou que "será diligente ao responder às acusações em relação ao conteúdo pirateado". O Megaupload tem mais de 150 milhões usuários registrados, 50 milhões de visitantes por dia e responde por 4% de todo tráfego da internet.

Os protestos on-line daquela quarta dia 18 contra os dois projetos de lei antipirataria surtiram efeito. Mais de 162 milhões de pessoas viram a mensagem de protesto na Wikipedia e 18 senadores recuaram em seu apoio à proposta, e 4,5 milhões de pessoas assinaram uma petição contra os projetos.

O The New York Times disse que o ativismo on-line é "uma nova Era para a política em relação à indústria de tecnologia." Já para o CEO da MPAA, a associação dos estúdios de cinema, e ex-senador dos EUA, Chris Dodd, choramingou, afirmando que os protestos foram um "abuso de poder" que transformou os usuários em "peões corporativos".

Mas muitas empresas de tecnologia foram contra a SOPA e a PIPA, argumentando que elas vão minar a internet livre e aberta. Críticos dizem que a legislação autoriza o governo e entidades privadas a censurarem a web, exigindo que sites de busca e provedores bloqueiem o acesso a sites acusados ​​de violação de direitos autorais.

Veja um balanço dos protestos:

» 4,5 milhões de pessoas assinaram a petição do Google anti-SOPA/PIPA, de acordo com o Los Angeles Times.

» 25 Senadores agora se opõem PIPA (a versão do Senado da SOPA), de acordo com a ONG OpenCongress.

» Circularam no Twitter mais de 2,4 milhões de posts contra as leis.

» Dois co-patrocinadores do SOPA e vários outros retiraram o apoio ao projeto na Câmara.

» Mais de 162 milhões de pessoas viram a página de protesto na Wikipedia.

» Mais de 8 milhões de pessoas usaram as ferramentas de busca da Wikipedia para procurar informações de contato de deputados e senadores americanos.

Já o CEO da News Corp, Rupert Murdoch, acusou a "blogosfera" de aterrorizar muitos senadores e deputados que haviam se comprometido com os projetos. Mas fica a pergunta: o “terror” não está vindo de eleitores e, principalmente, de uma população livre que usa a internet como “rua” para manifestações populares?

S.O.P.A.: apoiar esta lei é iniciar toda e qualquer sensura na internet.

Em reação ao fechamento do Megaupload, ativistas ligados ao coletivo Anonymous atacaram e tiraram do ar na noite do dia 19 os sites do Departamento de Justiça, da gravadora Universal Music e da Motion Picture Association of America, a associação de estúdios de cinema e página da gravadora BMI. É apenas o começo da atividade do Anonymous chamada de "#OpMegaUpload".

Quando um site é derrubado, usa-se o termo "Tango down", de origem militar, que significa “inimigo abatido”. De acordo com reportagem da CNET, canais de bate-papo na plataforma IRC usados por membros do grupo falam sobre a derrubada dos sites, e discutem quais serão os próximos alvos. O IRC é um dos sistemas mais antigos de comunicação na internet, e é utilizado tanto por sua simplicidade como por ser possível manter seus participantes no anonimato.

O coletivo hacker Anonymous sempre foi controverso... mas com o esforço massivo para retaliar a retirada do ar do MegaUpload, o grupo pode ter cruzado a linha do “hacktivismo” em direção ao cibercrime comum. Em resposta a derrubada do MegaUpload pelo governo dos EUA, o Anonymous se uniu a causa com ataques de negação de serviço (DDoS) para derrubar sites como FBI, Departamento de Justiça dos EUA, Casa Branca, Universal Music, MPAA, RIAA. A atividade em si não é algo incomum para o grupo. Uma das qualidades reparadoras do Anonymous sempre tem sido o fato de ser um exército voluntário de hacktivistas, mas há sinais sugerindo que o coletivo pode ter passado dos limites e usado o recrutamento forçado para angariar recrutas... e isto caracteriza o cyberterrorismo.

Independente do que se possa pensar sobre as táticas e estratégias do Anonymous, o grupo sempre teve um apelo meio “Robin Hood”: um grupo de hackers habilidosos colocando seus recursos e conhecimentos em uso para uma causa – geralmente lançando ataques para fazer uma declaração, ou indo ajudar algum site ou pessoa que não possua a habilidade de se defender como eles.

Posso pensar em duas razões pelas quais o Anonymous tenha se voltado para esse tipo de subterfúgio... primeiro, pode ser uma questão de necessidade pura. O esforço pela retaliação do MegaUpload é massivo, e o Anonymous pode ter pensado que seu exército voluntário simplesmente não era suficiente. Enganar os usuários com um link é uma maneira de aumentar rapidamente a quantidade de tráfego DDoS para muito além do que o coletivo seria capaz por conta própria.

O grupo de cyberativistas Anonymous causou um bom estargo em 2011 aos ataques à Sony em luta pela democratização dos games Playstation, agora tem papel importante na luta contra o fim dos sites de compartilhamento.

A segunda razão pode ser “cuidar de si mesmo”. Governos no mundo todo tem sido mais agressivos, e aparentemente mais bem-sucedidos, ultimamente em rastrear e prender membros do Anonymous. O esquema de ataque de phishing com DDoS deixa as águas significativamente turvas em termos de encontrar a verdadeira fonte, e dá a todos os membros algum grau de negação plausível se forem encontrados pelas autoridades.
Qualquer que seja a razão, se o Anonymous realmente cruzou a linha e recorreu a ataques de phishing para enganar usuários, então perderá todo tipo de notabilidade que possa ter adquirido anteriormente.

Mas independentemente de tudo, há o início de uma guerra... um novo tipo de guerra. O que antes era oferecido à guerra soldados, armas de destruição física e estratégias geográficas, hoje existem cidadãos anonimos, computadores e uma conexão com a internet... e uma disposição acima do normal de se lutar contra o excesso de poder.

O Megaupload foi escolhida pelos ditadores como a primeira vítima de sua cruzada... mas será verdadeiramente o mártir de uma guerra democrática que está apenas começando.

Paz e bem.

P.

“O horror visível tem menos poder sobre a alma do que o horror imaginado.”
William Shakespeare 
.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Da Terra à Lua - Parte 4: "T" menos 10 segundos... e contando!


.

Parte 4 - "T" menos 10 segundos... e contando!

16 de julho de 1969. No Cabo Kennedy, a contagem prosseguia normalmente e apesar das atenções estarem voltadas para os astronautas no topo do foguete, o mérito de chegar à Lua não era apenas deles. Até aquele momento mais de 300 mil pessoas haviam colaborado com o projeto Apollo, consumindo uma quantia, corrigida para os valores de hoje, superior a 3 trilhões de dólares.

A sala de controle do Kennedy Space Center momentos antes do lançamento, em 16 de julho de 1969. 

O lançamento daquele dia era crucial para as ambições espaciais americanas. O país travava uma batalha épica contra os russos desde o lançamento do Sputnik em 1957 e chegar à Lua antes deles seria uma espécie de xeque-mate que comprovaria a superioridade técnica do "mundo livre". Um ano antes os soviéticos tinham conseguido enviar as sondas não tripuladas Zond 5 e Zond 6 até a órbita lunar e eram os únicos que tinham capacidade técnica para colocar um homem na Lua, mas uma série de problemas impediram os russos de fazê-lo.

Na sala de comando doe Cabo Kennedy, Eugene Kranz aguardava por aquele momento. Kranz era a própria personificação da Nasa e toda a metodologia de controle e lançamento havia sido projetada por ele, incluindo o conhecido desenho das fileiras de controladores que chamou de frentes, linhas e trincheiras, mantido até os dias de hoje. Nada podia dar errado e, um a um, todos os setores eram checados para se ter certeza se o lançamento podia ou não ser feito.

O responsável pela comunicação de cápsula (capcom) Charlie Duke é visto à esquerda da foto tendo ao seu lado os astronautas Jim Lovell e Fred Haise. Os dois enfrentariam o maior desafio do Programa Apollo, a bordo da Apollo 13.

Pelo menos 25 setores diferentes trabalhavam diretamente no lançamento, milhares de pessoas. Cada setor checado significava que centenas de pessoas haviam feito sua parte e que tudo estava perfeito. Após ouvir todas as confirmações necessárias, do alto da última linha de controladores Kranz comandou: "Ok. We go for Launch! (Ok, vamos lançar!). 

----------
A seguir: O Saturn 5 levanta vôo.
----------

Paz e bem.

P.

.